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Família de turista morta no Recife diz que vai processar Estado

O tio de Bruna Gobbi disse que não foram alertados pelos bombeiros

 A família da turista paulista que morreu em consequência de um ataque de tubarão no Recife afirmou nesta terça-feira (23) que irá processar o Estado de Pernambuco pela morte da jovem.
Davi Leonardo Alves, tio de Bruna Gobbi, 18, disse que ela e os quatro primos que estavam na praia na segunda-feira (22) não foram alertados pelos bombeiros sobre risco de ataque de tubarão naquela área. Ele afirmou ainda que não havia sinalização de perigo no local do acidente.
"O primo que estava mais adiante [no mar] foi chamado [pelos salva-vidas] porque era área de risco de corrente marítima. Não falaram para eles que tinha ocorrência de tubarão. [Além disso], as placas estavam a cem metros de lá", afirmou.
A declaração de Alves contradiz a enfermeira Daniele Souza, 26, prima de Bruna, que estava na água com a jovem no momento do ataque. Daniele disse à Folha que elas chegaram a fotografar, antes do ataque, uma placa de alerta sobre a presença de tubarões na área.
"A gente ainda chegou a brincar: Imagina [se vai aparecer] um tubarão a beira-mar'", disse Daniele.
O comandante do Corpo de Bombeiros de Pernambuco, coronel Carlos Casanova, disse que os salva-vidas alertaram cerca de 20 grupos naquela área para o risco de correntes marítimas e ataques de tubarão, já que a maré estava alta, mas afirmou não ter como precisar o que foi dito especificamente ao grupo de Bruna.
Segundo ele, há 88 placas de alerta para ataques de tubarão nos 30 km de areia entre as praias do Paiva (litoral sul, no município de Cabo de Santo Agostinho) e do Bairro Novo (litoral norte, em Olinda).
"Não se pode afirmar que não sabiam [do perigo]", disse Casanova. Bruna, a mãe, a avó e a prima chegaram de férias a Pernambuco na última quinta-feira (18) e ficariam até esta quarta-feira (24).
A jovem foi atacada por volta das 13h20. Segundo Daniele, elas estavam com água na altura da cintura, mas caíram num buraco e foram puxadas pela correnteza.
O ataque aconteceu enquanto Daniele era resgatada por salva-vidas. Segundo Casanova, o jet ski estava a dez segundos de Bruna, quando ela foi mordida na perna esquerda.
Por causa do trânsito, a jovem foi levada numa viatura da PM a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) no bairro vizinho e, só depois, foi transferida ao Hospital da Restauração, maior emergência do Estado, a cerca de dez quilômetros do local do acidente.
Bruna foi submetida a uma cirurgia e teve a perna amputada na altura da coxa. Estava na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), respirando com ajuda de aparelhos e teve uma parada cardiorrespiratória irreversível às 23h20 de segunda-feira (22), segundo nota divulgada na tarde desta terça-feira pelo Hospital da Restauração.
A família só deve retirar o corpo dela nesta quarta-feira para enterrá-lo em Escada (a 63 km do Recife), onde vive a maior parte da família.
O pai, o namorado e parentes que vivem em São Paulo só devem chegar durante a madrugada.
ATAQUES
De acordo com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões, o caso da jovem foi o 59º ataque de tubarão registrado desde 1992. Vinte e quatro pessoas morreram desde então.
Bruna foi a segunda mulher atacada e o primeiro caso de morte do sexo feminino em razão desses ataques nos últimos 21 anos.
Para os Bombeiros, fatores como maré alta, lua cheia e água turva pelas chuvas desta época do ano contribuíram para o ataque.
O coronel Carlos Casanova disse que os salva-vidas que entraram na água também correram risco de serem atacados, mas afirmou acreditar que um aparelho usado pelos bombeiros que cria um campo eletromagnético e o motor do jet ski deva ter perturbado e afastado o tubarão.

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