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Justiça determina que 9 militares que metralharam músico no RJ sigam presos


A Justiça Militar determinou hoje que nove dos dez militares que foram presos em flagrante pelo assassinato do músico Evaldo Rosa dos Santos permaneçam detidos. Durante audiência de custódia, realizada nesta tarde, a juíza Mariana Aquino de Campos, da 1ª Auditoria da Justiça Militar, converteu as prisões em flagrante para preventivas. O soldado Leonardo Delfino Costa alegou não ter atirado e, por isso, foi liberado --apesar disto, ele segue sendo investigado pelo Exército brasileiro, que assumiu as investigações na última segunda-feira (8).

O pedido para liberação de Delfino Costa foi feito pelo MPM (Ministério Público Militar), que afirma não haver provas de participação efetiva no assassinato. Os demais confirmam ter disparado contra o veículo dirigido por Evaldo. O procurador de Justiça Militar Luciano Moreira Gorrilhas informou que o pedido para as prisões teve como fundamento os crimes de homicídio e tentativa de homicídio que teriam sido cometidos pelos militares. As penas para o crime de homicídio previstas no Código Penal Militar variam entre seis e vinte anos de reclusão. Para a Procuradoria de Justiça Militar, que pediu a prisão preventiva dos envolvidos, foram descumpridos os princípios e regras que regulamentam o uso da força pelos militares em ações de segurança.

Veja quem são os 9 militares presos:

Ítalo da Silva Nunes Romualdo - 2º tenente do Exército 

Fábio Henrique Souza Braz da Silva - 3ª sargento do Exército 

Gabriel Christian Honorato - Soldado do Exército 

Matheus Santanna Claudino - Soldado do Exército 

Marlon Conceição da Silva - Soldado do Exército 

João Lucas da Costa Gonçalo - Soldado do Exército 

Leonardo Oliveira de Souza - Soldado do Exército 

Gabriel da Silva Barros Lins - Soldado do Exército

Vitor Borges de Oliveira - Soldado do Exército

Tenente confirma ter dado o primeiro disparo 

O 2º tenente do Exército Ítalo da Silva Romualdo disse, durante a audiência, ter sido o autor do primeiro disparo em direção ao veículo dirigido por Evaldo. No entanto, ele nega ter dado a ordem para que os outros militares atirassem. Nas palavras dele, os outros militares dispararam "espontaneamente" na mesma direção ao vê-lo atirando. Todos os ouvidos disseram que alguns minutos antes, os militares haviam trocado tiros com um veículo de características similares, no bairro de Guadalupe. Ao ver o carro de Evaldo e ouvir um disparo realizado na região, o tenente deu o primeiro tiro.

Mais de 80 tiros O carro em que Evaldo estava foi metralhado por militares no último domingo. Segundo a Polícia Civil --que fez os primeiros trabalhos de investigação, antes da transferência do caso-- mais de 80 disparos foram realizados contra o veículo dirigido pela vítima. Evaldo estava com a família a caminho de um chá de bebê quando foi abordado no bairro de Guadalupe, na zona norte da capital. O sogro dele, que estava no veículo, e um pedestre também ficaram feridos. As primeiras informações divulgadas pelo Exército ainda ontem diziam que a tropa havia "reagido a uma agressão oriunda de criminosos a bordo de um veículo". Segundo a família, a vítima não tinha qualquer envolvimento com o crime.

Em um comunicado divulgado na segunda-feira, o CML (Comando Militar do Leste) informou que, "com base em informações iniciais transmitidas pela patrulha, foi emitida nota segundo a qual a tropa teria reagido a uma agressão oriunda de criminosos a bordo de um veículo". "Em virtude de inconsistências identificadas entre os fatos inicialmente reportados [pelo militares envolvidos na ação] e outras informações que chegaram posteriormente ao Comando Militar do Leste, foi determinado o afastamento imediato dos militares envolvidos, que foram encaminhados à Delegacia de Polícia Judiciária Militar para tomada de depoimentos individualizados", continua a nota.

Investigações ficarão com o Exército 

As investigações sobre a morte e os feridos ficarão a cargo do próprio Exército, que assumiu as investigações do caso com base em uma lei de 2017, sancionada pelo então presidente Michel Temer (MDB). A legislação diz que crimes dolosos contra a vida, cometidos por militares das Forças Armadas, serão investigados pela Justiça Militar da União, em alguns casos. Os laudos já feitos pela Polícia Civil do Rio serão fornecidos ao exército para o prosseguimento dos trabalhos. "Foram diversos disparos de arma de fogo efetuados, e tudo indica que os militares confundiram o veículo com um veículo de bandidos. Mas neste veículo estava uma família. Não foi encontrada nenhuma arma [no carro]. Tudo que foi apurado era que realmente era uma família normal, de bem, que acabou sendo vítima dos militares", afirmou na manhã de hoje o delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios da capital, que estava responsável pelo caso antes da transferência da investigação.

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