Teto de antiga concessionária desaba e atinge os dois veículos mais antigos de Campina Grande


Os dois veículos mais antigos que existem em Campina Grande foram danificados após o desabamento de parte do teto do local onde eles ficam guardados. Um dos carros é do ano de 1919 e o outro de 1922. Eles estavam no estoque do prédio onde funcionava a primeira concessionária da Ford, no Centro da cidade. Atualmente parte do prédio era usada como loja de peças.

O desabamento do teto ocorreu durante o fim de semana, mas só foi percebido na manhã desta segunda-feira (22) quando funcionários chegaram no local para trabalhar. Ninguém ficou ferido. Não há informações do que teria provocado o desabamento.

 Os veículos são considerados de grande raridade. Um era um Ford Phaeton 1919 e outro uma pick-up Ford 1922, ambos Ford-T. Os veículos pertenciam ao cônsul libanês Joseph Noujaim Habib, que foi o primeiro concessionário de Campina Grande. Segundo o jornalista automotivo e antigo-mobilista Flávio Evangelista, os carros são os mais raros de Campina Grande e possivelmente da Paraíba.



“O Ford-T foi lançado em 1909 e foi o primeiro carro produzido em escala industrial. Esse modelo popularizou a cultura do automóvel vendendo 15 milhões de unidades entre 1919 e 1926. Na época da chegada da concessionária e dos primeiros carros, Campina Grande era impulsionada pela força da exportação do algodão. Os dois carros tinham todas as características originais”, destacou Flávio Evangelista.


Um detalhe que enriquecia a raridade é que a carroceria da pick-up era exclusiva. “Acontece que naquela época, os carros chegavam ao Brasil desmontados. Apenas chassi, para-lamas e as latarias da frente com a mecânica. A carroceria não vinha. Era feita na cidade. A carroceria dessa pick-up carro foi toda feita de madeira, em Campina Grande”, explicou o especialista.



Já o modelo Phaeton tinha teto de lona. A nomenclatura Pheton era usada para um conceito de carro conversível e de quatro portas. Segundo Flávio, na época as montadoras não tinham estrutura e tecnologia para fabricar chapas de ferro tão grandes, ao ponto de serem capazes de fazer tetos de metal.


Flávio Evangelista também deu detalhes sobre os motores dos carros atingidos. “Os motores desses carros tinha partida a manivela. Eles eram equipados com quatro cilindros tento 2894 cilindradas que rendia 20 cavalos de potência e faziam o carro chegar a uma velocidade máxima de 70 km/h, o que era uma velocidade muito alta, em uma época onde as pessoas eram acostumas a andar com veículos de tração animal”, disse ele.


O prédio

O prédio onde o teto desabou funcionou, por mais de 50 anos, uma concessionária da Ford, no Centro de Campina Grande. Mesmo após fechamento da concessionária, o prédio ainda preservava móveis e prateleiras da época, além de todas as peças que havia ficado no estoque no dia do fechamento.



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