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Óleo provoca medo e pode ameaçar 130 km de praias da Paraíba


O litoral paraibano possui 130 km de praias que abrigam uma fauna de valor incalculável. Essa riqueza se concretiza na presença de várias espécies de corais, peixes, crustáceos, manguezais, restingas e algas, compondo o cenário que tanto atrai os turistas. Porém, toda essa beleza pode estar ameaçada, caso o vazamento de petróleo chegue à Paraíba. Na última quinta-feira (24), pescadores encontraram uma tartaruga no mar, presa em uma mancha de óleo, na divisa com Pernambuco, deixando a população apreensiva e mostrando que a ameaça está cada vez mais próxima.

Se houver derramamento no mar, a mancha de petróleo pode se espalhar por milhares de quilômetros, deixando um rastro de destruição e incalculáveis prejuízos, de acordo com a bióloga Rita Mascarenhas, coordenadora do Projeto Tartarugas Urbanas.

Dependendo da viscosidade do material, a mancha pode flutuar na superfície ou abaixo dela enquanto é carreada pelas correntes oceanos afora, contaminando a água e tudo que existe nela.

“O nível de intoxicação dos organismos depende da quantidade e tipo de contato. Se não causa a morte imediata, ela pode ser a médio ou curto prazo, pelo acúmulo de substâncias tóxicas no corpo impedindo metabolismo, alimentação, reprodução, locomoção”, afirmou. De acordo com a Marinha do Brasil, até a última quarta-feira, dia 23, haviam sido retiradas mais de mil toneladas de resíduos do óleo em praias localizadas na região Nordeste.

Litoral volta a registrar gotículas de óleo
Na manhã deste domingo (27), o litoral da Paraíba voltou a registrar pequenas manchas de óleo, em formato de gotículas. Os resquícios foram encontrados nas praias de Barra de Gramame, em João Pessoa, e Tambaba, em Conde. No entanto, conforme a Capitania dos Portos relatou ao Portal Correio, as praias do litoral paraibano não estão sendo atingidas por novas manchas de óleo. As gotículas são residuais do surgimento das manchas no início de setembro no estado.

Efeito devastador em praias
O bioma marinho da Paraíba possui uma grande diversidade de espécies por conta dos recifes formados pela barreira de arenito – que são rochas – e carbonato de cálcio. É neste ambiente que se estabelecem as colônias de corais, esponjas e comunidades de algas.

“Se o material oleoso chegar novamente ao nosso estado, os recifes, que servem como uma barreira física, vão reter grande parte do óleo, diminuindo o impacto na costa. No entanto, se o óleo atingir os corais, esponjas e as algas, o impacto causado a eles será enorme, especialmente se voltar denso da forma que está se apresentando em Pernambuco e Alagoas nos últimos dias”, explicou a coordenadora de Estudos Ambientais da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), Maria Christina Vasconcelos.

A retirada do material dos corais é complicada porque, para isso, é necessária uma raspagem. “Por serem indivíduos muito sensíveis, podem adoecer ou ate mesmo morrer”, enfatizou. Por outro lado, existe ainda toda uma cadeia alimentar que envolve espécies maiores, como tubarões e outros peixes, que se alimentam das algas ali fixadas. “Por essa razão, o risco é de desestruturar uma cadeia inteira e desestabilizar o ecossistema”, afirmou.

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