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Servidores dos Correios fazem ato público em Campina Grande


Manifestação dos grevistas, dentre outros temas, ocorre em defesa do emprego e contra as privatizações

Funcionários dos Correios e Telégrafos, em greve por tempo indeterminado desde a última terça-feira (18), fazem um ato público nesta segunda-feira (31) na Praça da Bandeira, em Campina Grande a partir das 10h. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos na Paraíba, Empreiteiras e Similares (Sintect-PB), a manifestação, dentre outros temas, ocorre em defesa do emprego e contra as privatizações.
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A paralisação foi definida em assembleia no último dia 17. A deliberação estadual acompanha a decisão da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect). De acordo com os grevistas, os Correios e Telégrafos retiraram direitos e negligenciaram a saúde dos funcionários durante a pandemia de coronavírus. Os funcionários também se manifestam contra a intenção do Governo Federal de privatizar o serviço.
Segundo o secretário-geral do Sintect-PB, Tony Sérgio Rodrigues Cavalcante, participam do evento nesta segunda-feira trabalhadores dos Correios de toda a Paraíba. “Como não podemos fazer aglomeração, estaremos em Campina Grande com uma representação de cerca de 80 a 100 servidores, todos usando máscaras, álcool em gel e mantendo o distanciamento recomendado”, disse Tony. Conforme acrescentou, assim que o ato na Praça da Bandeira terminar, haverá uma assembleia, na qual vão deliberar pela continuidade da greve, e uma caminhada.
Reivindicações
O Sintect-PB divulgou uma carta aberta na qual detalha as reivindicações da categoria. De acordo com o texto, a direção dos Correios provocou, baseada em uma liminar do STF, a suspensão dos efeitos da vigência do último dissídio coletivo de trabalho, pedindo que os trabalhadores apresentassem uma pauta de reivindicações e iniciassem com ela uma negociação.
O Sintect-PB, por meio da carta, esclarece que os Correios vinham se negando a negociar, não apresentando contraproposta à pauta enviada pela categoria. “Abertas as negociações, a empresa nada propôs de razoável, trazendo à mesa a proposta de exclusão de 70 das 79 cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Lembramos que os funcionários dos Correios têm o menor salário do serviço público federal. A retirada de direitos históricos vai rebaixar em até 40% o poder de compra dos trabalhadores”, diz o texto.
Entre os direitos que os funcionários teriam perdido estão o vale alimentação, os 30% do adicional de risco, a licença maternidade de 180 dias, o auxílio creche e o auxílio para filhos com necessidades especiais.
Greve não afeta serviços
A paralisação parcial dos empregados dos Correios não afeta os serviços de atendimento da estatal. A informação foi divulgada pela empresa em nota à TV Correio, no dia 19 de agosto. Um levantamento parcial da estatal mostra que 83% do efetivo total dos Correios no Brasil está trabalhando regularmente.
“A empresa já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população. Medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões estão sendo adotadas”, disse a empresa, na ocasião.
Os Correios informam que a rede de atendimento está aberta em todo o país e os serviços, inclusive SEDEX e PAC, continuam sendo postados e entregues em todos os municípios. “Para mais informações, os clientes podem entrar em contato pelo telefone 0800 725 0100 ou por este link, informou.
Negociação com grevistas
Os Correios informaram que as reivindicações dos profissionais custariam aos cofres da instituição quase R$ 1 bilhão em um ano, o que seria dez vezes mais que o lucro obtido em 2019. “Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida”, disse a empresa. “Nenhum direito foi retirado, apenas foram adequados os benefícios que extrapolavam a CLT e outras legislações, de modo a alinhar a estatal ao que é praticado no mercado”.
Conforme os Correios, os trabalhadores continuam tendo acesso ao benefício do auxílio-creche, para dependentes com até cinco anos de idade. “Os tickets refeição e alimentação também continuam sendo pagos, conforme previsto na legislação que rege o tema, sendo as quantidades adequadas aos dias úteis no mês, de acordo com a jornada de cada empregado: 22 tickets para quem trabalha de segunda a sexta-feira e 26 para os empregados que trabalham inclusive aos sábados ou domingos. Estão mantidos ainda – aos empregados das áreas de Distribuição/Coleta, Tratamento e Atendimento -, os respectivos adicionais”.
Dentre as medidas adotadas para proteger o efetivo durante a pandemia, a empresa disse que redirecionou empregados classificados como grupo de risco para o trabalho remoto – bem como aqueles que coabitam com pessoas nessas condições -, sem perda salarial.

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