'The paperboy' surpreende Cannes
Oferecido originalmente ao espanhol Pedro Almodóvar, "The paperboy", romance de Pete Dexter, foi filmado pelo americano Lee Daniels, que trouxe o filme a Cannes para competir pela Palma. Se depender da torcida que se formou hoje em torno do longa-metragem, Daniels leva o prêmio máximo do festival para casa. Embora não seja essa Coca-Cola toda, a produção subverte várias normas do gênero policial, temperando com sensualidade e humor a realidade racista e sexista do sul dos Estados Unidos. E duas atrizes do filme podem sair daqui premiadas (merecidamente): Nicole Kidman, boazuda até dizer chega, no papel de Charlotte, e a cantora Macy Gray, na pele da empregada Anita.
Ambientado na Flórida em 1969, o filme acompanha os esforços de um jornalista investigativo, Ward (Matthew McConaughey) e seu irmão Jack (Zac Efron, em surpreendente interpretação) para provar a inocência de um condenado à morte, Hillary (John Cusack). Ward e Jack são mobilizados para o caso por uma quarentona solteira chamada Charlotte (Nicole Kidman, genial), que tem o fetiche de se corresponder com um preso. Ela cisma que Hillary é o homem de sua vida e tenta ajudá-lo. A sequência do filme em que Charlotte acompanhada pelos dois repórteres visita a prisão e tenta satisfazer Hillary sexualmente apenas com caras, bocas e puxadas de calcinha levou Cannes à gargalhada. Daniels trouxe de propósito muito humor para o longa, que é narrado pela personagem de Macy, Anita, misto de faxineira e ama-seca de Jack.
Produzido por Jan de Bont, diretor de "Velocidade máxima" (1994), "The Paperboy" é um filme de qualidades inegáveis, digno mesmo de um prêmio de direção. Agora dar a Palma a ele é um desrespeito com concorrentes mais sólidos, como o romeno "Beyond the hills". Até porque ele veio aqui para lançar com muita antecipação sua carreira para o Oscar, baseado numa reflexão sobre preconceito racial e a violência contra os homossexuais, representados na opção gay de Ward e do próprio Lee Daniels.
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Internacional