Comerciante expandirá negócios após reabertura de rua no Centro.
Linha 4 do metrô pretende retirar dois mil veículos por hora das ruas.
Moradores e motoristas sofrem com interdições na Zona Portuária do Rio.
Apitos, poeira, tapumes e ruas interditadas fazem parte do cenário do Rio de Janeiro desde que as obras viárias visando às Olimpíadas de 2016 começaram. Sete grandes intervenções visando a melhoria do trânsito e o transporte público na cidade serão concluídas até o início dos jogos, mas, até lá, a população fluminense terá que conviver com os transtornos gerados por essas obras.No Centro do Rio, apesar do trânsito visivelmente mais lento, as opiniões são divididas. “Essa região ficou abandonada durante muitos anos. Qualquer modificação gera transtornos, mas é um mal necessário. Futuramente acredito que o trânsito fique melhor do que era antes das obras”, afirma o advogado Gustavo Rodrigues.
Já a funcionária pública Márcia Sampaio, que trabalha no Hospital dos Servidores, as obras têm refletido na sua qualidade de vida. "Levo quase o dobro do tempo para chegar em casa. Fico mais cansada em vir para o trabalho do que no hospital. Já teve dia que fique cinco horas dentro do ônibus", diz a moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Rua Sacadura Cabral.
Segundo a CET-Rio, todas as intervenções no trânsito são cuidadosamente discutidas para minimizar os impactos na região. De acordo com o órgão, a prefeitura quintuplicou a operação de trânsito após o início das principais obras (operadores, reboques, viaturas, motocicletas, painéis de mensagens etc), ajustou os tempos de sinal nas áreas influenciadas por cada intervenção e monitora de forma intensificada, através do Centro de Operações, as áreas afetadas pelas obras.
De acordo com o estudo encomendado pela concessionária que executa a obra do Porto Maravilha sobre o impacto no trânsito, em 2010, o tráfego na Perimetral era de 4.753 veículos por hora no horário de maior pico. No entanto, em vias expressas o ideal é que até 2 mil veículos circulem por hora, o que significa que a Perimetral já havia excedido a sua capacidade máxima em 119%.
Segundo Arraes, uma obra desse porte não poderia ser realizada sem afetar a rotina da população, mas análises constantes têm sido realizadas para minimizar os impactos da obra. “É impossível fazer o que estamos fazendo sem causar transtornos. Estamos abrindo ruas, mudando toda a infraestrutura da região, mas fizemos um cronograma de interdição e estudamos as melhores alternativas para a população”, diz Arraes, ressaltando que o calendário de obras poderia ser encurtado se várias ruas fossem interditadas simultaneamente.
“Poderíamos terminar mais rapidamente, mas isso causaria impacto maior na vida das pessoas. Por isso, só fechamos uma rua quando temos outra rota alternativa liberada”. As obras do Porto Maravilha têm investimento previsto de R$ 8 bilhões e a estimativa é que 900 mil pessoas sejam beneficiadas.
No mês de junho, as obras da Transoeste, primeiro corredor expresso da cidade, que ligará a Barra da Tijuca a Campo Grande e Santa Cruz, serão concluídas. A obra teve investimento de R$ 900 milhões e vai beneficiar 220 mil pessoas. O próximo corredor expresso a ser entregue será a Transcarioca, com previsão de conclusão para dezembro de 2013. O corredor de BRT vai ligar a Barra da Tijuca até o Aeroporto Internacional do Rio, na Ilha do Governador.
| Via | Investimento | Início | Término | Extensão | população beneficiada |
|---|---|---|---|---|---|
| Porto Maravilha | R$ 8 bilhões (obras viárias e de infraestrutura) | julho 2011 | início 2016 | 70 km | 900 mil |
| Metrô | R$ 5,8 bilhões | junho 2010 | dezembro 2015 | 16 km | 300 mil |
| Arco Metropolitano | R$ 1,176 bilhão | agosto 2008 | dezembro 2013 | 70,9 km | 2 milhões |
| Transcarioca | R$ 1,404 bilhão | março 2011 | dezembro 2013 | 39 km | 450 mil |
| Transoeste | R$ 900 milhões | julho 2010 | junho 2012 | 56 km | 220 mil |
| Transbrasil | R$ 1,3 bilhão | fase licitatória | final 2015 | 32 km | 900 mil |
| Transolímpica | R 1,55 bilhão | fase licitatória | final 2015 | 23 km | 400 mil |
As obras da Linha 4 do Metrô, que expande o transporte à Zona Sul e à Barra da Tijuca, vai interditar cerca de 500 metros de vias em 4,5 km de obras no trecho sul, segundo o governo do estado do Rio. Para gerar o menor impacto possível para os moradores e motoristas que passam pela região, o governo utilizou um programa que simula os desvios no trânsito e calcula o tempo gasto no percurso.
De acordo com o subsecretário de Projetos Espaciais da Casa Civil, Rodrigo Vieira, vários fatores foram analisados até definir o traçado definitivo e a disposição das estações da Linha 4, inclusive o trânsito. Segundo ele, a tecnologia utilizada na obra é a grande responsável pela minimização de transtornos para a população. “Sem a tecnologia do ‘tatuzão’ (equipamento subterrâneo que vai abrir passagem para o metrô) uma obra como essa não seria possível”, afirmou Rodrigo.
Já o Arco Metropolitano vai integrar regiões diferentes do estado, interligando cinco rodovias federais que cortam o Rio de Janeirox. A obra permitirá o acesso e a saída do porto para todo o território nacional além de, através da ligação transversal entre os cinco eixos, permitir a circulação entre os municípios da Baixada Fluminense, a cidade do Rio e o resto do estado sem a necessidade de utilizar a Avenida Brasil, a Ponte Rio Niterói e trechos da Niterói Manilha, já saturados ao tráfego.
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