MANDACARU: Precisamos evitar sua extinção



Agropecuarista alerta para a importância de preservar o mandacaru 
O médico, escritor e agropecuarista Juracy Nunes, mostra, em artigo abaixo publicado, a importância do mandacaru em uma região seca como a do Cariri.

MANDACARU: Precisamos evitar sua extinção


Mandacaru é uma planta arbustiva, xerófita, nativa do Brasil, disseminada no Semiárido do Nordeste. Pertence à família das cactáceas, gênero cactus ou cacto e o nome científico da espécie é Cereus Jamacaru, conhecida também na região em destaque pelo nome “cardeiro”. A cactácea nasce e cresce no campo sem qualquer trato cultural. A semente espalhada pelas aves ou pelo vento, não escolhe lugar para nascer. Até sobre telhados de casas rurais pode-se ver pé de mandacaru. O crescimento fica na dependência dos nutrientes do solo em que germina. A espécie típica do Bioma Caatinga pode  atingir 5 até 6 metros de altura. Adaptada a viver em ambiente de clima seco, com quantidades de água reduzidas, suas folhas se transformaram em espinhos que são elementos de defesa frente aos animais herbívoros.  Por ter espinhos no lugar das folhas não faz sombra nem dá encosto para pessoas ou bichos. Com base nessas características morfológicas, gerou-se uma sentença popular. Quando alguém quer detrair pessoa destituída de espírito solidário, usa o seguinte simbolismo verbal: “fulano é igual a mandacaru, nem dá sombra nem encosto”.

Mandacaru é tema de manifestações culturais em todo Nordeste. Foi título de novela da extinta Rede Manchete de Televisão. O Xote das Meninas, música de Luiz Gonzaga - “mandacaru quando fulora na seca” - faz analogia entre a fase da puberdade e o surgimento da flor pouco antes da chagada das chuvas no sertão. A poesia, o romance, o folclore e a prosa sertaneja são extremamente ricos em referências às três espécies vegetarianas do semiárido. O mandacaru de quem a natureza tirou as folhas para guardar mais água; a braúna com sua dureza que simboliza a resistência do homem do sertão e o juazeiro que dá sombra o ano inteiro para abrigar gente e bicho na inclemência do sol. Sítios, povoados, bairros, cidades são batizados com o nome Mandacaru. Dentre as utilizações da planta, o mandacaru se mostra versátil. No sertão é utilizado na ração animal em tempos de crise. Para os pecuaristas sertanejos, relembrar os conhecimentos rudimentares da botânica, o lado romântico da planta, ou a sua patogenicidade não é a prioridade do momento.  Em anos de bom de inverno, a planta fica no mato como reserva a ser usada na seca. Mas, a dureza do tempo presente, em três anos seguidos de pluviosidade abaixo da média, com os açudes secos, com a extinção da palma forrageira dizimada pela praga da cochonilha do carmim, com a morte da pastagem nos terrenos altos e nas várzeas, volta o povo a dizer: “chegou a hora da onça beber água”.Vamos fazer o fogo e assar espinho.

A saúde da planta, o impacto socioambiental com sua ameaça de extinção.

No sertão, a cactácea que resiste à seca é considerada planta de alto nível de sanidade. Pesquisadores da Embrapa do Estado do Ceará comentaram que “a despeito de sua aparente rusticidade o mandacaru pode ser afetado por inúmeros patógenos”. Segundo o comunicado técnico, intitulado “Patógenos Associados ao Mandacaru”, várias doenças provocadas por fungos são identificadas no mandacaru, entre elas a Podridão - Azul, a Antracnose. Em nossa caminhada olhando pés de mandacaru no Sítio Mocó, do município de Monteiro/PB, não vimos doenças semelhantes às citadas, todavia, encontramos plantas doentes com lesões necróticas conforme figuras a seguir e que precisam ser estudadas com suporte laboratorial.


Além da seca, do desmatamento, das doenças, as cactáceas correm risco de extinção por atividade predatória do homem o que gera um grave impacto socioambiental.

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