HOMENAGEM A DR CHICO
Por Vagner Lira
Homenagem a Francisco de Assis Neves Nóbrega – Dr. Chico
Francisco de Assis Neves Nóbrega, carinhosamente conhecido por todos como Dr. Chico, nasceu em Monteiro (PB) no dia 3 de outubro de 1954, fruto da união simples e honrada de Antônio de Andrade Nóbrega, guarda de trânsito, e Antuérpia Neves Nóbrega, costureira. Criado em um lar modesto, entre linhas de esperança e passos firmes nas ruas da cidade, desde cedo mostrou-se diferente — um menino determinado, sensível e com um coração voltado ao serviço ao próximo.
Seus primeiros passos no saber foram dados no Grupo Escolar Miguel Santa Cruz, onde aprendeu as letras, os números e os valores que levaria por toda a vida. Em dezembro de 1978, aos 24 anos, realizou um feito que encheu de orgulho toda Monteiro: formou-se médico pela UFPB. Era o filho da costureira e do guarda de trânsito que se tornava doutor — mas não um doutor qualquer. Era o médico do povo.
Vida dedicada ao povo
Fiel à sua vocação, Dr. Chico escolheu como “consultório” os bairros mais humildes, as praças, os corredores dos hospitais e até o alpendre de sua própria casa. Atendia sem hora, sem pressa e sem exigências. Onde houvesse dor, ele fazia presença. Sua atuação como médico na Maternidade Ana Bezerra Paraguay e no Hospital Regional Santa Filomena é lembrada com carinho por gerações que se viram acolhidas por suas mãos firmes e sua escuta atenta.
Dr. Chico não curava apenas com remédios, mas com humanidade. Olhava nos olhos dos humildes e via neles a razão do seu trabalho. Era chamado com justiça de “o pai dos pobres”, não como um título, mas como reconhecimento pelo amor genuíno que dedicava aos que mais precisavam. Monteiro sabia: bastava chamá-lo. E ele vinha.
Sonho de transformar
Seu amor por Monteiro extrapolava a medicina. Em 1982, disputou como vice-prefeito ao lado do sogro Josa Leite, e embora não eleito, nunca se afastou do sonho de ver sua cidade crescer com dignidade. Em 1988, foi eleito prefeito de Monteiro aos 34 anos — um dos mais jovens da história — e levou para a política a mesma simplicidade, firmeza e sensibilidade que o guiavam como médico.
Na gestão pública, implantou um modelo humano e participativo, onde a prioridade era gente, não estruturas. Onde a ética e o respeito andavam de mãos dadas com o progresso. Sua marca como gestor permanece como referência de integridade e compromisso.
Partida prematura, presença eterna
Em 4 de dezembro de 1993, aos 39 anos, Dr. Chico partiu de forma precoce, deixando Monteiro em luto e em lágrimas. A cidade perdeu um médico, um líder, um amigo — mas sobretudo, perdeu um símbolo de esperança e solidariedade. Sua ausência foi sentida como a de alguém da família, pois assim ele se fazia presente: como filho, irmão, pai de todos.
Mesmo após sua partida, seu nome segue ecoando nas orações, nas lembranças, nos livros guardados nas casas de saúde, nas histórias contadas nas feiras, nos bancos de praça e nos corações de cada monteirense. O Museu Arnaldo Bezerra Lafayette e outras instituições já eternizaram sua memória, mas a verdadeira homenagem está na saudade viva de um povo inteiro.
O legado que permanece
Hoje, Dr. Chico vive no coração de Monteiro. Vive nos gestos de bondade, nas políticas voltadas ao povo, na saúde como direito, e no olhar atento aos mais humildes. Vive, sobretudo, nos passos dos seus três filhos: Fillipe, Francisco e Lorena — esta última, atual prefeita eleita de Monteiro, que carrega com honra a herança de luta e amor do pai.
E vive também nos milhares que, mesmo sem laço de sangue, o chamavam de “meu doutor”, “meu amigo”, “meu irmão”.
Dr. Chico não foi apenas um homem. Foi uma missão. Um farol. Um abraço que não se apaga.
E Monteiro nunca o esquecerá.