Um jovem de 23 anos
morreu na última segunda-feira (26/1) após ser vítima de um linchamento em
Ponta Grossa, Paraná. Deivison Andrade de Lima estava internado desde o dia 18
de janeiro, quando sofreu agressões após ser acusado, de forma equivocada, de
envolvimento na morte de Kelly Cristina Ferreira de Quadros. Segundo a Polícia
Civil do Paraná (PCPR), ele não teve participação no crime.
Deivison foi atacado
por pessoas que acreditavam que ele seria o autor do homicídio de Kelly,
encontrada morta em uma área de mata no dia 16 de janeiro. Os agressores o
espancaram dois dias depois. O jovem não resistiu aos ferimentos e morreu após
oito dias de internação.
A mãe de Deivison
relatou que, ao encontrar o filho ainda consciente em uma Unidade de Pronto
Atendimento (UPA) da região, na noite de 18 de janeiro, ele contou que foi
colocado à força dentro de um carro por três homens, que disseram que o
levariam para uma área de mata. Segundo o relato, eles afirmaram que fariam com
o jovem o mesmo que, de acordo com eles, havia sido feito com Kelly.
Deivison teria negado
diversas vezes qualquer envolvimento no crime, mas, ainda assim, foi agredido.
“Ele disse que apanhou porque confundiram ele
com a pessoa que matou essa moça. Meu filho era inocente. Eu só quero justiça”,
afirmou.
Verdadeiro
autor do assassinato foi preso
O delegado responsável
pelo caso, Luis Gustavo Timossi, explicou que não há qualquer indício de que
Deivison tenha participado do homicídio de Kelly. Segundo ele, a investigação
do assassinato da mulher já identificou o verdadeiro autor, que foi preso,
confessou o crime e apresentou provas materiais, incluindo imagens de câmeras
de segurança e informações sobre a motivação e os objetos utilizados.
“O que posso afirmar é que não há nenhum
indício de envolvimento do Davidson com o homicídio da Kelly”, disse o
delegado. Ele confirmou que Deivison conhecia a vítima, mas ressaltou que isso,
por si só, não indica participação no crime.
A polícia informou que
o verdadeiro autor do homicídio de Kelly, um homem de 43 anos, foi preso no dia
19 de janeiro. Ele confessou ter cometido o crime após um desentendimento
relacionado ao consumo de drogas e indicou o local onde descartou as roupas
sujas de sangue e os objetos usados na agressão – um pedaço de madeira e uma
pedra.
A PCPR informou que segue em diligências para identificar e responsabilizar os autores das agressões que resultaram na morte de Deivison Andrade de Lima.