PF investiga Digimais, banco de Edir Macedo, por suposta fraude contábil




O banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo, é alvo de uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira, 23. A instituição é investigada por supostamente manipular demonstrações financeiras por meio da subscrição de cotas de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), operação que teria sido utilizada para transferir ativos problemáticos para o fundo e melhorar artificialmente indicadores contábeis do banco. Procurado, o Digimais não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Batizada de Operação Miragem, a ação mobilizou mais de 50 policiais federais para o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo. A decisão também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do bloqueio e sequestro de bens e valores de até 670 milhões de reais. Conforme o G1, Edir Macedo é um dos alvos do bloqueio. O mesmo reside no exterior e, por isso, não foi solicitado mandado de busca e apreensão contra ele neste momento. Procurada, a PF não comentou esses dois pontos.

Segundo a Polícia Federal, as investigações, apoiadas em relatórios do Banco Central, indicam que os envolvidos teriam manipulado registros contábeis e informações regulatórias para ocultar a real situação financeira da instituição, transmitir uma aparência de solvência aos órgãos de fiscalização e viabilizar operações consideradas irregulares.

De acordo com o balanço do quarto trimestre de 2025, o Digimais registrou índice de Basileia de 7,98%, abaixo do mínimo regulatório de 11%. Em tese, esse indicador apontaria insuficiência de capital para suportar os riscos assumidos pela instituição e poderia exigir intervenção por parte do Banco Central.

No mesmo documento, o banco informou ter realizado um aporte de 250 milhões de reais para elevar o índice de Basileia para 13,49%, acima da exigência regulatória.

Parte da investigação envolve um FIDC denominado EXP1, administrado pela gestora Yards Asset Management. Segundo documentos obtidos por VEJA, o Digimais subscreveu cotas do fundo no valor de 659 milhões de reais mediante a cessão de direitos creditórios representados por Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) de sua titularidade.

“Houve cessão onerosa de uma carteira de créditos consignados composta por 54.216 CCBs, do Banco Digimais ao Fundo”, registra um dos documentos do processo obtido.

Posteriormente, a Yards Asset Management ingressou com ação judicial contra o banco. Conforme o processo, a gestora utilizou relatório elaborado pela UHY Bendoraytes que teria identificado inconsistências documentais relevantes na carteira cedida.

“O resultado indicado foi de que 22.184 CCBs não possuíam documentação comprobatória de lastro, o que corresponde a 41% da carteira”, afirma a gestora nos autos do processo.

A suspeita investigada pelas autoridades é que a operação tenha sido utilizada para retirar esses ativos do balanço do banco, melhorando indicadores financeiros e permitindo o cumprimento das exigências regulatórias do Banco Central.

O Digimais, por sua vez, também acionou judicialmente a gestora. Na ação, o banco alega que a administradora não estaria prestando informações sobre a destinação dos recursos do fundo e que se recusou a convocar uma Assembleia Geral de Cotistas solicitada em dezembro de 2025.

A instituição pede que a Justiça determine a realização da assembleia, sob pena de multa diária. Já a Yards sustenta nos autos que a ação teria sido proposta para “tumultuar a gestão do FIDC” e evitar o enfrentamento das acusações apresentadas no processo anterior. Procurada para comentar o caso, a Yards Asset Management não respondeu até o fechamento desta reportagem.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem

Monteiro

Mantenha-se informado