A vitória expressiva dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, pode ter consequências para além da política americana.
Com a perda do controle da Câmara dos Representantes e do Senado, o presidente Donald Trump enfrentará novos obstáculos para conduzir sua política externa, especialmente em três frentes: a guerra contra o Irã, a relação com Israel e as negociações para encerrar o conflito entre Rússia e Ucrânia.
O resultado eleitoral, impulsionado em parte pela insatisfação dos americanos com a guerra no Oriente Médio e o aumento do custo de vida, dá à oposição instrumentos para fiscalizar operações militares, questionar gastos e interferir na destinação de recursos a outros países. A mudança, no entanto, não será imediata. A nova composição do Congresso assume em janeiro de 2027, e Trump continuará com ampla autonomia para conduzir negociações diplomáticas e decisões militares.
O alcance dessa nova correlação de forças dependerá também da capacidade dos democratas de reunir apoio entre parlamentares republicanos.
Embora possam aprovar propostas contrárias à orientação da Casa Branca, precisarão, em determinadas situações, de uma maioria de dois terços nas duas Casas para derrubar eventuais vetos presidenciais.
COM OGLOBO
