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Confrontos deixam 7 mortos no Egito

Mais de 261 ficaram feridos em choques entre islamitas e tropas; manifestantes pedem volta de Morsi ao poder.

 Pelo menos 7 pessoas morreram e 261 ficaram feridas em enfrentamentos noturnos na segunda-feira no Cairo, entre manifestantes favoráveis ao presidente deposto Mohamed Morsi e as forças de segurança, afirmaram fontes do serviço de saúde do Egito nesta terça-feira (16)..
Cinco pessoas morreram no bairro de Guizeh, no sudoeste do Cairo, e duas na área de Ramses, perto de uma das principais pontes sobre o Nilo e da praça Tahrir.

O balanço foi confirmado à agência oficial egípcia Mena pelo médico Khaled al-Jatib, alto funcionário do ministério da Saúde.

Em Ramses, a violência deixou 134 feridos e em Guizeh 130, de acordo com Soltan. Outras seis pessoas foram feridas perto da mesquita de Rebaa al Adawiya.

As autoridades afirmaram que 401 pessoas foram presas em decorrência dos confrontos.

Os confrontos aconteceram no fim da noite de segunda-feira, após maisum dia de protestos, durante o qual milhares de partidários de Morsi saíram às ruas, exigindo que ele seja reconduzido ao poder após o golpe militar de 3 de julho.

A polícia informou que quatro agentes ficaram feridos, mas sem explicar se os oficiais estavam incluídos no balanço divulgado pelas fontes médicas.

Pelo menos 401 pessoas foram detidas após os confrontos, os primeiros registrados na capital desde os que causaram 53 mortos em 8 de julho em frente à sede da Guarda Republicana.

Quase 100 pessoas morreram em confrontos desde a queda de Morsi, que aprofundou a crise política no país.
Partidários e adversários de Morsi seguem mobilizados desde que o exército derrubou o presidente. Os primeiros denunciam um "golpe de Estado militar", e os outros afirmam que os militares se limitaram a atender a mobilização popular contra o presidente procedente da Irmandade Muçulmana.

Eles ocupam principalmente os arredores da mesquita de Rebaa al-Adawiy, em Nasr City.

Do lado oposto, os anti-Morsi, que acusam o presidente deposto de ter governado em favor de sua Irmandade e de não saber enfrentar a crise econômica, também continuam mobilizados na Praça Tahrir, símbolo da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak, e em frente ao palácio presidencial.

Bill Burns, subsecretário de Estado dos EUA, pediu na segunda-feira que a situação no Egito seja apaziguada, considerando que as prioridades devem ser o diálogo e o fim da violência.

O secretário se reuniu com as novas autoridades no Cairo: o primeiro-ministro Hazem Beblawi, o presidente Adly Mansour e o chefe das Forças Armadas, o general Abdel Fattah Al-Sisi, que deve permanecer como ministro da Defesa.

O Egito é considerado há décadas um aliado-chave dos Estados Unidos na região, mas suas relações atravessam uma fase conturbada.

O movimento Tamarrod, que iniciou a onda de contestação contra Morsi no final de junho, se recusou a participar em uma reunião com Burns, por considerar que Washington apoiou o presidente deposto desde o início.

O governo americano pediu a libertação de Morsi, detido pelo Exército, mas o apelo não foi atendido pelo governo provisório, que garante que o ex-chefe de Estado está "em um local seguro" e é "tratado dignamente".

A justiça egípcia abriu procedimentos judiciais contra vários líderes da Irmandande Muçulmana, entre eles o Guia Supremo, Mohamed Badie.

Ao mesmo tempo, a presidência interina pediu a todas as forças políticas, incluindo a Irmandade Muçulmana, que participem nos esforços para a "reconciliação nacional".

O governo de Beblawi mantém os esforços para formar um novo governo, sem descartar a inclusão de membros da Irmandade Muçulmana. Ele pretende anunciar a composição de seu gabinete na terça ou na quarta-feira.

No início da tarde, as novas autoridades egípcias expressaram forte ressentimento pelas declarações de apoio do primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan ao ex-presidente Mursi, vítima, segundo ele, de um 'golpe de Estado'.
Erdogan afirmou recentemente que Mohamed Morsi, de quem é amigo, continua a ser o único chefe de Estado egípcio legítimo.

E, com o problema da segurança no norte do Sinai, Israel autorizou o exército egípcio a enviar dois batalhões de infantaria adicionais, ante o aumento dos ataques de grupos islamitas na região, anunciou a rádio militar israelense.

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