Segundo analistas, essa estabilidade não é por acaso
Sem essas operações, o dólar poderia ter voltado a cair, à medida que os capitais externos continuam a entrar no Brasil, atraídos pela boa situação da economia em relação aos países desenvolvidos. O economista-chefe da consultoria Austin Rating, Alex Agostini, diz que o comportamento do governo mostra que o câmbio está menos livre que nos últimos anos. “Sem dúvida, existe uma mudança de postura”, disse.
Agostini, no entanto, acredita que a estabilidade da cotação mais se deve às incertezas em relação à economia internacional do que ao poder de fogo do Banco Central e do Tesouro Nacional. “Enquanto o Banco Central anuncia operações no mercado futuro e compras à vista, os países avançados atravessam um momento de instabilidade que ajuda o governo a vencer a briga com o mercado, que força a queda do dólar”, ressalta.
De acordo com o professor de Economia Internacional André Nassif, da Fundação Getulio Vargas (FGV), o Banco Central está fazendo o que deveria ter sido feito na crise de 2008: impedir que o dólar volte a cair depois de uma alta repentina. “O Brasil está repetindo o que vários países da Ásia fizeram há quatro anos, quando intervieram no câmbio e não deixaram as moedas locais subir [em relação ao dólar]”, explica.
Nassif também acredita que o governo, até agora, tem sido mais beneficiado pelas incertezas internacionais do que pelas ações da equipe econômica. “Quem depreciou o câmbio, fazendo o dólar subir de R$ 1,80 para R$ 2, não foi o governo, mas o próprio mercado, que estava receoso em relação às eleições na Grécia”, disse.
Na avaliação do professor, por enquanto, o Banco Central consegue atuar sozinho para manter o dólar em torno de R$ 2. No entanto, caso a nova injeção de dólares na economia norte-americana pelo Fed reduza o valor do dólar no mundo, ele defende que o Brasil adote uma quarentena para os capitais estrangeiros que entram no país, para aumentar o poder das autoridades brasileiras em intervir no câmbio. “Medidas como o IOF [Imposto sobre Operações Financeiras] para o capital externo se revelaram ineficazes em conter a queda do dólar”, declara.
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Economia